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Conta-se que há muitos anos havia no Casal Monás (perto da Azelha), uma estalagem onde paravam os ourives e os brincheiros (vendedor de roupas que andava de terra em terra a oferecer a sua mercadoria). Os ourives traziam consigo artigos em oiro e os brincheiros vendiam tecidos para confeção de roupas, vinham do norte do país a cavalo de mulas, por não haver ainda estradas para carroças, pernoitavam e dormiam nessa estalagem.
O dono dela, assim que se apresentava a ocasião a jeito, roubava-lhes a mercadoria e matava-os fazendo-os desaparecer. Diz-se que os deitava para o algar da Comaceirinha. Quando morreu, deixou grande fortuna em oiro e joias, escondidos um pouco por todo o lado.
Embora nunca ninguém tivesse "visto" o que se passava, o povo começou a desconfiar e, depois da sua morte, correu o boato de que о seu espírito se manifestava no grande casarão onde ele tinha vivido e onde tinha enterrado parte do produto dos roubos. Dizia-se que, quando alguém ousava entrar, lhe aparecia o "espírito" do estalajadeiro pedindo que pagasse por ele as promessas que tinha feito em vida. Isto para aplacar o temido castigo dos céus e não ter de pagar pelas mortes que tinha cometido. Só nessa condição indicaria o local onde tinha escondido o oiro. O receio invadiu os aventureiros. О casarão foi abandonado. Até que um dia, um indivíduo mais corajoso se arriscou e entrou na casa abandonada. Oiro não trouxe, e o que viu ninguém sabe, pois nunca o quis revelar. Mas tal coisa deve ter presenciado que ficou na cama uns quinze dias!
O Casal Monás ainda existe. É um terreno com árvores e mato. O casarão já nada resta dele. O gado pasta nas terras próximas, porém ninguém mais quis aventurar-se a penetrar os segredos. O oiro lá continua e haja um espertalhão que o vá procurar!...
Curiosidade: Esta lenda é contada com várias variantes. Apesar disso uma coisa é certa, brincheiros, ourives e outros indivíduos passavam por este sítio a cavalo, pediam guarida e viajavam com sacas cheias de moedas.
Nos tempos mais recentes, conta-se que houve alguns homens, impulsionados pela bebida que tentaram a sua sorte, mas ao chegar perto do tal casal a bebedeira passava, tal era o susto. Diz o povo que ninguém quer lá viver e que nunca o fogo lá pegará.
Publicado por: Freguesia de São Bento - Porto de Mós
Publicado em: 13-05-2026